Prefeitura da Cidade do Recife

Programas de Residência

Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva

Periodicidade

Regular Anual

Vagas

16

Coordenação

Karolina de Cassia Lima da Silva Duarte e Alcieros Martins da Paz
saudecoletiva-800

Objetivos Gerais

Formar sanitaristas comprometidos com os princípios da Reforma Sanitária Brasileira, com habilidade para planejar, gerir e desenvolver sistemas e serviços de saúde. Esses profissionais deverão incorporar práticas de saúde coletiva, educação permanente e controle social, visando fortalecer as redes de atenção à saúde e a gestão descentralizada, com o objetivo de ampliar e qualificar o acesso à saúde.

Objetivos Específicos

  • Desempenhar em equipe atividades do campo da saúde coletiva em todos os níveis de atenção, integrando gestão, educação e mobilização social;
  • Dominar conhecimentos técnicos voltados para ações de prevenção de doenças, proteção, recuperação e promoção da saúde, bem como de ferramentas tecnológicas que deem agilidade ao serviço;
  • Contribuir em equipe para a definição de agendas prioritárias, e o planejamento, formulação, implementação, monitoramento e avaliação de intervenções em saúde.

Justificativa

A formação de sanitaristas no Brasil começou no início do século XX como pós-graduação para médicos e, na segunda metade do século passado, expandiu-se para incluir outros profissionais da saúde. No século XXI, surgiram Cursos de Graduação em Saúde Coletiva para estudantes do ensino médio em universidades públicas. Em 2011, a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO) passou a se chamar Associação Brasileira de Saúde Coletiva, refletindo essa expansão.

Apesar dessa evolução, há um grande investimento em cursos de residência multiprofissional para formar sanitaristas, promovido pelos Ministérios da Saúde e da Educação. Essas residências são fundamentais para a formação no Sistema Único de Saúde (SUS), alinhadas com os princípios da Reforma Sanitária.

Em Pernambuco, programas de residência multiprofissional existem desde 1990, mas ganharam status de pós-graduação em 2005. A partir de 2014, Recife ampliou esses programas, integrando-os à política municipal de gestão do trabalho e educação na saúde. O Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva da SESAU-Recife oferece 16 vagas anuais e visa formar sanitaristas competentes, com uma formação generalista, crítica, reflexiva e ética. As atividades do currículo compõem os eixos teórico, prático e teórico-prático, totalizando 5.760 horas distribuídas em 24 meses, utiliza metodologias ativas de ensino-aprendizagem, baseadas nas necessidades de saúde da população e nos princípios do SUS.

Concepção Pedagógica

As diretrizes pedagógicas que norteiam a formação profissional são fundamentadas nos princípios e diretrizes do SUS e atentam para uma visão crítico-educativa, voltada para a reorientação dos modelos de gestão e atenção à saúde, historicamente centrados na doença. Nestes termos, tais diretrizes estão baseadas no ensino centrado no sujeito da aprendizagem, na concepção de que a pessoa constrói o seu conhecimento de forma proativa na busca de nova informação e/ou novas formas de pensar a partir de suas bases de conhecimento.

A residência contempla a perspectiva de mudança de paradigmas. Este contexto requer flexibilidade, subjetividade e diversidade. A educação deve ser voltada para o relacionamento entre pessoas como condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade, ao mesmo tempo em que, vincula-se ao grupo, respeita-se a peculiaridade de cada aluno/indivíduo e suas diferenças, e com isso estimula-se a reflexão e a autonomia do pensamento e da prática. Apoiam-se em uma atividade reflexiva que enfatiza a construção do conhecimento e que leva o residente não apenas a questionar o contexto em que está inserido, mas propor alternativas de intervenção.

Portanto, considera-se que a aprendizagem acontece a partir da integração teórico-prática, sendo que os residentes são protagonistas neste processo, cabendo-lhes a descoberta, a participação, a autonomia e a iniciativa na formação de suas competências. Isto significa que o conhecimento deve ser individual e coletivamente, construído a fim de ser utilizado com competência e criatividade, favorecendo a tomada de decisão. Mais especificamente, as diretrizes pedagógicas deste programa, pautadas pelo currículo integrado, pressupõem adoção de estratégias metodológicas que transcendem a sala de aula, justificando a carga horária destinada às atividades teórico-práticas.

Para tanto, a metodologia eleita deve possibilitar a ação-reflexão-ação, levando a discutir a realidade, passando pela aquisição de uma consciência sanitária crítica, individual e coletiva. Entre as atividades previstas estão: realização de diagnósticos de área, elaboração de projetos de intervenção, oficinas, portfólio reflexivo e atividades de autogestão pautadas na heutagogia (método de aprendizagem que coloca o aluno como protagonista do seu próprio processo de aprendizagem).

Sistema de Avaliação

O processo de ensino-aprendizagem precisa de uma avaliação abrangente em todos os espaços de formação, sendo realizada pelo corpo docente-assistencial do programa, baseando-se na integralidade do desenvolvimento técnico-científico, ético e político para a formação permanente de trabalhadores da saúde. Diferentes instrumentos são utilizados para realizar as avaliações, as quais se dividem em três tipos gerais: Diagnóstica, Formativa e Somativa.

A Diagnóstica não exige nota e é baseada em questionamentos feitos ao longo do curso para identificação de conhecimentos prévios dos residentes, servindo como ponto de partida para organização dos assuntos a serem aprofundados. A Formativa objetiva acompanhar o processo de formação e o desempenho do residente ao longo do programa e também não atribui uma nota. Já na Somativa, existe parâmetro de nota/classificação do residente, exigindo um valor médio para aprovação, a partir de notas atribuídas nas atividades teóricas, práticas e teórico-práticas. Na Avaliação Formativa são realizados feedbacks ao longo das atividades práticas, teóricas e teórico-práticas. Já as avaliações somativas das atividades práticas são realizadas ao final do estágio na Ficha de Avaliação do Residente pelo Preceptor, enquanto as avaliações das atividades teóricas são realizadas pelos docentes ao final de cada uma delas, baseando-se nos critérios expostos nos programas das disciplinas.

Durante toda a residência, os residentes passam por avaliações quali-quantitativas. A avaliação qualitativa ocorre semestralmente por meio de feedbacks da coordenação, permitindo aos residentes identificar suas potencialidades e fragilidades. A avaliação quantitativa atribui notas de 0 a 10 nas atividades práticas, com aprovação para notas iguais ou superiores a 7. Itens avaliados incluem assiduidade, participação, capacidade de reflexão, desempenho e postura ética. Nas atividades teóricas, docentes atribuem notas com base em critérios similares.

Ao final do programa, os residentes devem apresentar um Trabalho de Conclusão de Residência (TCR), avaliado por três membros em sessão de defesa, com nota final sendo a média das notas atribuídas. Atividades teórico-práticas são avaliadas de forma semelhante às práticas. Em caso de nota inferior a 7, cabe ao responsável pela atividade e à coordenação definir a recuperação.

A metodologia de avaliação do programa envolve autoavaliações e feedbacks regulares de todos os membros. Indicadores de monitoramento incluem proporções de preceptores em atividades de educação permanente, cenários de prática atualizados e com tutoria, atividades teóricas com coordenação e reuniões pedagógicas realizadas conforme planejado.